Skip to content Skip to footer
RC3 Lab

Linhas de Pesquisa

Articulando conhecimentos em filosofia, psicologia, neurociência, teologia e antropologia, nossos projetos buscam aprofundar a compreensão dos processos cognitivos, neurais, afetivos e culturais que estruturam as crenças, práticas e experiências humanas. Cada linha de pesquisa representa um eixo temático no qual essas abordagens convergem para responder a questões complexas sobre a mente, o cérebro e a religião.

Religião & Cognição

Esta linha investiga os fundamentos cognitivos das crenças e práticas religiosas, buscando compreender como os processos mentais — percepção, memória, imaginação e inferência social — sustentam a formação e a transmissão de ideias religiosas. Inspirada nas ciências cognitivas da religião, examina como a arquitetura da mente humana predispõe os indivíduos a reconhecer agência, intencionalidade e significado em contextos rituais e simbólicos. As pesquisas combinam abordagens experimentais, modelos computacionais e análise conceitual para explorar a emergência de conceitos religiosos e sua persistência em diferentes tradições culturais.

Neurociências da Religião

Focada na dimensão neural da experiência religiosa, esta linha utiliza métodos de neuroimagem (EEG, fMRI) e psicometria para investigar os correlatos cerebrais de estados místicos, oração, meditação e emoção espiritual. O objetivo é compreender como circuitos neurais são recrutados em contextos religiosos, e de que modo esses processos interagem com fatores culturais e afetivos. As pesquisas também dialogam com a neurofilosofia e a psicologia da religião, contribuindo para um entendimento integrado das relações entre cérebro, mente e transcendência.

Cultura, Emoções e Cognição Moral

Nesta linha, o RC3 explora o papel das emoções socialmente moduladas na formação de valores, normas e identidades religiosas. A partir de um enfoque interdisciplinar que combina psicologia moral, antropologia cultural e filosofia das emoções, os estudos analisam como sentimentos como culpa, compaixão e reverência moldam comportamentos e narrativas religiosas. Busca-se compreender de que forma as tradições religiosas funcionam como sistemas emocionais compartilhados, capazes de regular a coesão social, a empatia e a percepção do sagrado.

Experiências Religiosas e Estados Alterados de Consciência

Esta linha dedica-se à investigação comparativa de estados alterados de consciência — como experiências místicas, êxtases religiosos, episódios psicóticos e estados induzidos por substâncias psicodélicas — à luz das ciências da mente. O foco recai sobre os mecanismos neurocognitivos e fenomenológicos que subjazem a tais experiências, além de sua interpretação cultural e teológica. Por meio de estudos empíricos, análises fenomenológicas e reflexão filosófica, busca-se compreender como diferentes modos de consciência contribuem para a estruturação da vida religiosa e para a percepção do transcendental.

Pesquisa

Projetos em Andamento

Summary
Traditional Abrahamic religions conceive God as the ultimate source and guarantor of human flourishing and well-being. In these traditions, human purpose is seen as intimately tied to a relationship with God, who provides guidance, purpose, and salvation. This view presupposes a radical ontological distinction between humans and an omnipotent God. Brazilian Indigenous traditions propose a radically different ontological framework in which the boundaries between humans and non-humans are not fixed by intrinsic ontological distinctions but are instead matters of perspective. In this view, both humans and non-humans (animals, spirits, ancestors) are endowed with intentionality, sociality, and agency. The shaman is a figure capable of “changing perspectives”, adopting the viewpoint of animals, ancestors or spirits, traveling to their worlds. Human flourishing in this context is not an individual achievement, but a relational and intersubjective process: to live well is to skillfully navigate a cosmos densely populated by other intentional beings. Through seminars, workshops, publications, and undergraduate and graduate courses involving both academically trained philosophers and Indigenous religious leaders, this project aims to introduce Brazilian shamanic religions into current debates in the philosophy of religion, particularly regarding the role that spiritual realities play in shaping human purpose and meaning.
Summary
This project investigates how religious beliefs about human purpose influence emotional responses and moral motivation across cultures. Bridging philosophical analysis with experimental methods, the study explores three religious traditions—Christian, Afro-Brazilian, and Indigenous Brazilian— to examine how each fosters distinct emotional repertoires to promote virtue, compassion, and purposeful action. Through interdisciplinary workshops, conceptual mapping, and a compassion- centered experimental task, the project will reveal how different metaphysical worldviews cultivate specific emotions, such as forgiveness, reverence, or reciprocity, as a means to promote human flourishing and well-being. These results will then be linked to broader philosophical questions about what it means to live well within each tradition’s framework. The project advances a philosophical account of religious belief that emphasizes its embodied and affective dimensions. Rather than treating beliefs about spiritual reality as merely propositional or abstract, it explores how such beliefs are enacted through culturally mediated emotional dispositions that shape moral cognition. By illuminating the connection between religiously modulated emotions and human flourishing, the project contributes a novel, cross-cultural perspective to current debates in the philosophy of religion. Its outcomes—philosophical publications, open-access resources, and empirical data—will provide an enduring contribution to understanding human purpose as spiritually grounded, morally embodied, and culturally diverse.
Summary
Religious cognition is a complex mental process centered on beliefs in supernatural agents or spiritual beings. Similar to any other kind of belief (Boudry & Coyne, 2016; Levy, 2017), beliefs in supernatural agents are represented through mental images (the pictures of saints, of sacred objects) and propositional content (concerning the characteristics attributed to the agent). The meaning of the mental representation of supernatural agents can be studied experimentally using psychometric scales that measure the correlation between the representation and the emotions that it triggers on the individual. On this project we will study and promote the research on the meaning of beliefs in spiritual beings through the analysis of the relationship between mental representation of supernatural agents and its capacity to promote emotional regulation (Vishkin, Bigman & Tamir 2014). Our goals are: to expand the field of experimental philosophy of religion in Brazil through public engagement initiatives, undertake research on different religious groups so as to be able to further understand the philosophical meaning of belief in spiritual beings, and direct replication of the measurement scales SBS, SB PVT, and EDAS (Jong et al., 2013) to include understudied Brazilian religions.
Resumo
A Doença de Alzheimer é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva caracterizada pela deterioração de funções cognitivas, emocionais e comportamentais, resultante da morte neuronal e da perda de sinapses em áreas-chave do cérebro. Entre os principais fatores neurológicos estão o acúmulo de placas senis de beta-amiloide e os emaranhados neurofibrilares de proteína tau, que comprometem a comunicação entre neurônios e acarretam degeneração sináptica, especialmente no hipocampo e no córtex entorrinal, regiões fundamentais para a memória episódica e a consolidação de novas informações.

Do ponto de vista psicológico, o Alzheimer gera não apenas declínio cognitivo, mas também impactos emocionais e sociais profundos. Pacientes apresentam alterações de humor, perda da capacidade de julgamento, ansiedade e, em fases mais avançadas, comprometimento da consciência de si e do ambiente. Contudo, memórias emocionais, afetivas, religiosas e musicais tendem a persistir por mais tempo, pois envolvem redes neurais distribuídas e áreas subcorticais (como a amígdala e o estriado ventral), menos afetadas nos estágios iniciais da doença.

Essa seletividade da perda de memória indica que o Alzheimer não se manifesta de forma homogênea sobre os diferentes sistemas de memória. Enquanto a memória episódica e a memória de trabalho sofrem maior comprometimento, memórias semânticas afetivas e habilidades procedimentais (como cantar, rezar ou tocar um instrumento) podem permanecer preservadas. Essa persistência tem sido associada à manutenção da identidade e à experiência subjetiva de continuidade, mesmo diante do declínio da consciência reflexiva.

O estudo da persistência dessas memórias é, portanto, relevante tanto em perspectiva científica quanto prática. Em nível terapêutico, práticas de estimulação cognitiva e de evocação de memórias autobiográficas têm mostrado benefícios para pacientes e cuidadores, reforçando vínculos afetivos e reduzindo sintomas de ansiedade e depressão. No campo da filosofia e da espiritualidade, compreender como certas memórias resistem ao esquecimento ajuda a repensar a relação entre identidade, consciência e transcendência

Histórico

Projetos Concluídos

Summary
One way humans relate to the divine is through suffering. Early modern debates on Christ’s pain asked how the son of God could suffer and why such suffering was necessary for salvation (Mercer 2012; Tallon 2008). Christ’s passion was viewed less metaphysically than pedagogically: by enduring pain, he teaches humanity about divinity, discipline, and the spiritual framing of suffering. This narrative became foundational for Christian doctrine and a cognitive tool for regulating emotion. As McNamer (2010) shows, medieval affective meditations invited readers to imagine Christ’s pain to reshape their own emotional experience. Such traditions influenced Reformation thought and early modern theories of the passions.

This project examines Christ’s suffering as a bridge between Christian narrative and early modern philosophy, asking whether religious discourse can shape pain perception when analyzed through contemporary neuropsychology. Spinoza and Anne Conway treated Christ’s passion as both pedagogical and metaphysical. My questions are: (1) how their systems connect metaphysics with the pedagogy of suffering; (2) whether religious explanations effectively ease suffering; and (3) whether gender shapes religious experience and the cognition of pain, given Mary’s exemplary endurance and traditional assumptions about women’s emotionality.

My earlier research focused on Spinoza’s metaphysics, imagination, and prophecy, exploring how emotions—especially love—shape knowledge and religious engagement. I later expanded this work by studying women philosophers, particularly Anne Conway, whose views on Christ-like perfection contrast with Spinoza’s conception of human nature. I now aim to examine how emotions support or hinder cognition by integrating neuropsychological methods.

I have also studied biological arguments in 19th-century debates on gender and education, including Nísia Floresta’s claim that women’s maternal dispositions enhance compassion and cognition. These intersections between biology, emotion, and religious thought remain central to my interests.

Because neuropsychology links brain and behavior, cross-training in this field will deepen my analysis of theological-philosophical narratives and their potential to lessen suffering, enriching both my research and my teaching.

Resumo
Esta pesquisa investiga, de forma inédita no contexto brasileiro, como identidades religiosas distintas — católica, sincrética e ateia — se relacionam com saúde mental, emoções e possíveis mudanças de afiliação ao longo da vida. Partindo de perspectivas das ciências cognitivas, psicologia cultural e neurociências afetivas, o estudo examina de que maneira crenças, práticas religiosas e emoções moldam sentimentos de pertencimento, bem-estar, resiliência e vulnerabilidade a quadros como ansiedade e depressão. Em um país marcado por forte tradição católica, mas também por intenso sincretismo entre matrizes indígenas, africanas e europeias, compreender como essas identidades se formam e se transformam é essencial para explicar fenômenos contemporâneos, como o crescimento do grupo “sem religião” e das denominações evangélicas.

A literatura mostra que religiosidade e espiritualidade influenciam processos cognitivos, estilos emocionais e estratégias de enfrentamento, podendo proteger contra sofrimento mental. Estudos internacionais sugerem que mudanças de filiação religiosa também impactam traços de personalidade, modos de pertencimento e estabilidade identitária. No entanto, ainda há escassez de dados robustos sobre o contexto brasileiro, especialmente sobre grupos sincréticos e ateus.

Para preencher essa lacuna, o projeto adota um desenho quase-experimental e compara 195 participantes divididos igualmente entre católicos, sincréticos e ateus. Os instrumentos aplicados incluem escalas validadas de depressão (BDI-PC), ansiedade (STAI), coping religioso (Brief-RCOPE), espiritualidade e qualidade de vida (WHOQOL-SRPB), além de questionários sociodemográficos. O estudo testa três hipóteses centrais: (1) católicos e sincréticos tendem a apresentar melhores indicadores de saúde mental que ateus; (2) sincréticos reportam maior conexão espiritual; e (3) grupos religiosos manifestam desejo de mudança identitária ao longo da vida.

As análises — realizadas em R, Python e Excel — envolverão modelos lineares generalizados e modelos dependentes da idade para mapear trajetórias de identidade, conversão e desconversão. Os dados serão anonimizados e disponibilizados em acesso aberto. O projeto integra debates teóricos atuais sobre emoções, identidade e religião, buscando compreender como as práticas religiosas contribuem para a virtude, o bem-estar e o desenvolvimento humano em sociedades plurais, como a brasileira.

Resumo
A investigação clínica, científica e acadêmica dos vínculos afetivos vem destacando múltiplas conexões entre a complexidade da dinâmica emocional infantil e as mais variadas redes de relacionamento na vida adulta. Neste contexto, destaca-se geralmente a conexão com a mãe e o pai, dentre outras figuras parentais que exercem junto à criança um papel de proteção e cuidado. Por outro lado, pouco se tem dedicado a estudar as reverberações do convívio com os irmãos e as irmãs durante a infância nas dimensões psíquicas, sociais e espirituais das pessoas adultas. Apesar disso, algumas obras se dedicam tangencialmente ou especificamente ao complexo fraterno, abrindo importantes horizontes de pesquisa.


No campo das religiões e da espiritualidade, verifica-se que a fraternidade frequentemente se configura enquanto elemento fundamental. Na tradição cristã, o mandamento do amor ao próximo se destacou no próprio núcleo da ética religiosa. Apesar desta diretriz clara, a história do cristianismo é marcada não somente por episódios de caridade, mas também de intolerância e violência perpetrados por indivíduos e sociedades que reivindicam o título de cristãos. A pesquisa bibliográfica atesta que não há consenso em torno dos motivos que estariam na base desta grande dissonância entre teoria e prática.


Neste projeto de pós-doutorado, propõe-se a prosseguir as investigações que vem desenvolvendo no âmbito da psicologia da religião, estabelecendo conexões entre os estudos das emoções partilhadas no vínculo entre irmãos e a ênfase na fraternidade dentro do contexto da comunidade cristã. Inserido em uma rede interdisciplinar de pesquisas dedicada ao estudo das emoções e da religião, que procura integrar a teologia cristã e a neurociência cognitiva e afetiva, o projeto encontra solo fértil para nutrir seu desenvolvimento, tanto no que tange ao aprofundamento filosófico-científico da conexão intrínseca entre fraternidade e cristianismo, por um lado, quanto ao investimento em conferências abertas, publicações e atividades visando à divulgação e popularização de ciência e tecnologia, ampliando espaços frutíferos de reflexão com o título de “Brother Coffee: Arte, Cultura & Espiritualidade”.

Resumo
Várias abordagens têm sido utilizadas para estudar a religião sob a perspectiva das neurociências. Um método comum consiste em medir a atividade cerebral por meio de fMRI ou EEG em condições experimentais e de controle, a fim de investigar aspectos religiosos. A religião pode ser tratada como variável independente, variável dependente ou base para comparações entre grupos. Frequentemente, pesquisadores utilizam estímulos religiosos genéricos — como imagens, afirmações e palavras — em desenhos experimentais adaptados para isolar efeitos psicológicos especificamente religiosos.

Como alternativa, meu foco está na investigação de experiências religiosas genuínas em laboratório. Essa abordagem envolve a criação de desenhos experimentais personalizados, ajustados às crenças dos participantes, priorizando autenticidade e dados de maior relevância. Estudos de neuroimagem nesse contexto exigem condições de contraste precisas para eliminar fatores externos. Por exemplo, ao estudar a oração verbalizada, a condição de controle pode incluir enunciados linguísticos não religiosos, como demonstrado por Schjoedt et al. (2009). Essa estratégia integra neuroimagem com métodos qualitativos, como entrevistas e observações, deslocando o foco dos mecanismos cognitivos para a compreensão de práticas e experiências específicas — em sintonia com tradições de pesquisa qualitativa das humanidades.

Embora alguns estudos anteriores mencionem a relação entre oração e emoção, essa conexão permanece relativamente pouco explorada em pesquisas de neuroimagem. Exceções incluem Galanter et al. (2017), que investigam padrões de atividade cerebral durante a oração entre membros de Alcoólicos Anônimos, e Baldwin et al. (2016), que examinam os correlatos neurais de orações de cura, depressão e memórias traumáticas.
Inspirado por Schjoedt et al. e Neubauer, meu objetivo é investigar diferentes práticas de oração e seus correlatos neurais, contribuindo para a literatura existente ao considerar formas ainda pouco estudadas de oração. Com base em Galanter et al. e Baldwin et al., busco explorar o impacto da oração sobre a regulação emocional e a saúde mental — possivelmente utilizando intervenções experimentais, como retiros intensivos de oração, para avaliar efeitos antes e depois da prática.

Em consonância com Newberg et al., vejo grande potencial no retiro inaciano como objeto de estudo neurocientífico. Sua longa tradição, estrutura bem definida e a alta probabilidade de experiências espirituais profundas em um curto período o tornam especialmente promissor. Seguindo a metodologia de Baldwin et al., pretendo mensurar os efeitos do retiro sobre o controle emocional e a saúde mental, utilizando diversos indicadores psicológicos e fisiológicos capazes de revelar seus efeitos duradouros.Realizando o estudo-piloto em uma instituição jesuíta de ensino superior, pretendo inspirar-me na pesquisa inicial de Newberg et al. e em estudos subsequentes (como Wintering et al., 2020). No entanto, minha abordagem difere da deles ao propor contribuir para o estudo de oração por fMRI não apenas antes e depois do retiro, mas também durante práticas específicas da oração inaciana. Isso complementa as investigações de Schjoedt, Neubauer e outros pesquisadores da área. O retiro inaciano oferece, portanto, uma oportunidade singular para investigação neurocientífica, e pretendo explorar suas características particulares para ampliar a compreensão de seus efeitos sobre o bem-estar emocional e mental — especialmente durante a prática da oração.

Resumo
A Ayahuasca é uma bebida com propriedades psicoativas que tem sido usada como enteógeno ao longo de séculos, principalmente em culturas indígenas da América do Sul. Mais recentemente, estudos têm sugerido que a Ayahuasca possui potencial como tratamento promissor para alguns distúrbios clínicos. Um dos distúrbios que têm recebido atenção é a depressão. Pesquisas clínicas exploraram os efeitos da Ayahuasca em pacientes com depressão, observando melhorias significativas nos sintomas e na qualidade de vida. No entanto, até o momento, nenhum estudo se aprofundou na análise das experiências subjetivas relatadas por indivíduos que consomem Ayahuasca pela primeira vez, usando ferramentas de análise textual quantitativa. Outro aspecto pouco estudado é a influência da religiosidade e espiritualidade nos contextos de uso desta substância. Portanto, o objetivo deste estudo é preencher estas lacunas e investigar como as experiências de pessoas inexperientes com a Ayahuasca podem influenciar seu bem-estar mental, especialmente em contextos religiosos.

A importância de explorar a experiência subjetiva de pessoas que participam de tratamentos com Ayahuasca reside na compreensão de que o cenário destas experiências desempenha um papel fundamental nos resultados terapêuticos. A Ayahuasca não é apenas uma substância psicoativa; ela é frequentemente usada em contextos religiosos e espirituais, como o Santo Daime, onde é considerada um sacramento. A espiritualidade e a religião podem fornecer um quadro significativo para as experiências com Ayahuasca, promovendo uma sensação de conexão com algo maior e oferecendo suporte emocional durante a jornada psicodélica. Portanto, entender como o contexto religioso e espiritual afeta a experiência subjetiva dos usuários é crucial para otimizar os benefícios terapêuticos da Ayahuasca, especialmente no tratamento da depressão, que muitas vezes tem componentes espirituais profundos. Vale ressaltar que as experiências subjetivas de indivíduos que nunca experimentaram a Ayahuasca são um campo de estudo relativamente inexplorado. A maioria das pesquisas até o momento concentrou-se em participantes que já tinham alguma familiaridade com a substância, seja por meio de tradições religiosas ou uso recreativo anterior. No entanto, os resultados desses estudos destacaram a importância da preparação mental e do ambiente para a experiência psicodélica bem-sucedida. Portanto, entender como sujeitos sem uso prévio respondem à Ayahuasca, especialmente em termos de suas experiências subjetivas e mudanças psicológicas, é fundamental para fornecer insights valiosos para a pesquisa psicodélica contemporânea e a terapia.

O objetivo central deste estudo é preencher essa lacuna, investigando as experiências subjetivas de indivíduos “naive” em relação à Ayahuasca, tanto do ponto de vista clínico quanto espiritual. Pretendemos realizar entrevistas detalhadas com participantes que nunca consumiram a substância antes e que foram diagnosticados com depressão, comparando suas experiências com um grupo de controle de indivíduos saudáveis. Além disso, vamos considerar como o contexto do Santo Daime e outras tradições religiosas ayahuasqueiras influenciam essas experiências, examinando se a espiritualidade e a religião podem ser fatores mediadores na melhoria dos sintomas depressivos e no bem-estar psicológico.

Summary
Only by examining the concrete religious practice performed in liturgical celebrations, is one able to consider the multi-dimensionality of religious experience. Religion is one of the most fundamental dimensions of human life, for it has a paramount importance in the process of giving meaning to the world. Religion becomes a theoretical corpus of doctrines and established rules and laws by a reflection on the religious practices (lex orandi, lex credendi). As the ultimate product of this process of reflection on the religious experience of a community, theology is an outcome of a prior practice. As it is the case in all dimensions of human existence, the pre-reflexive behaviour and the reflexive examination are intertwined dialectically, so that behaviour both produces rational norms, and blossoms from established rational criteria.

Our project aims at examining this pre-reflexive dimension of religious experience and its importance in the construction of theological discourse. First, religious experience is not a matter of intellectual operations, but mainly a matter of habitual praxis that entails a multidimensional experience in which our bodily actions, our gestures, our way of moving around the sacred space, are both expressing and incorporating the significance of our worshiping. Second, liturgy expresses itself in doxological formulas which have a theological meaning and that they are, at the same time, implicit and explicit, but also performative in the sense that they define our religious praxis as ritual. However, the concepts of habit and ritual are still too general to undertake this research on the configuration of both the believing community and of the divine nature to which it refers. Hence, the concept of joint-attention will help to highlight at the psychological level the bodily, emotional, and intersubjective dimensions of religious experience. Liturgy is a community-building praxis, for it gathers the believers by the interaction between themselves and the object of their worship. The intersubjective experience of religious practice can be expressed by the concept of joint attention, which helps us to understand the intersubjective nature of human experiences with a temporal and social perspective, but also with the emotional and psychological level of liturgy. The concept of joint-attention, hence, is not just stressing the intersubjective and sociological level of religious experience, but also the emotional and psychological.

Resumo
Pesquisas sobre a relação entre promoção de saúde e espiritualidade e/ou religiosidade de pessoas idosas têm recebido atenção, pois a participação em atividades espirituais e/ou religiosas pode diminuir sintomas de depressão, aumentar a qualidade de vida e melhorar o funcionamento cognitivo. Pessoas vivendo com demência e seus cuidadores podem buscar transcendência como estratégia positiva de enfrentamento para aceitar o diagnóstico e perdas a ele associadas. Participar de práticas religiosas pode promover a inclusão em atividades significativas, o que contribui para a manutenção da integração do eu. Além disso, algumas práticas religiosas – como a frequência a rituais, orações diárias e meditação – podem ter efeito protetor na progressão da demência à medida que funcionam como estimulação cognitiva. Sinaliza-se que espiritualidade e/ou religiosidade podem também diminuir a consciência da doença e dos déficits devido a crenças sobre o processo de envelhecimento e sobre o diagnóstico de demência. Para tanto, destaca-se a importância de cursos de conscientização sobre o diagnóstico de demência direcionados a grupos religiosos.

O objetivo deste trabalho consiste em realizar uma revisão sistemática para o levantamento dos achados mais recentes sobre o papel da espiritualidade e/ou da religião como recurso para auxiliar pessoas vivendo com demência a manter ou melhorar desfechos clínicos. Em seguida, será realizada coleta de dados no Centro para doença de Alzheimer e Outros Transtornos Mentais da Velhice do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CDA – IPUB/UFRJ), em que os participantes com demência e seus cuidadores serão entrevistados a respeito do papel da espiritualidade e/ou religiosidade no enfrentamento do diagnóstico de demência e dos déficits cognitivos, emocionais e nas atividades de vida diária. Serão utilizados instrumentos para a avaliação do coping espiritual/religioso, cognição global, qualidade de vida, funcionalidade, depressão e sobrecarga do cuidador. A partir dos resultados, haverá a possibilidade de desenvolvimento de intervenções que visem a integração da dimensão espiritual e/ou religiosa no tratamento de pessoas vivendo com demência.

Resumo
O projeto investiga o papel das emoções na formação do caráter moral e na condução da vida virtuosa nas tradições estoica e cristã, partindo da constatação de que o cristianismo primitivo dialogou intensamente com a ética estoica. A hipótese central é que uma compreensão refinada das teorias estoicas das emoções pode iluminar debates contemporâneos da Teologia e da Filosofia Moral sobre como sentimentos, afetos e disposições emocionais contribuem para o cultivo das virtudes e para a tomada de decisões éticas.

A tradição estoica desenvolveu uma análise rigorosa das emoções (pathê), entendendo-as como juízos equivocados que perturbam a alma e afastam o sujeito de sua racionalidade plena. Ao mesmo tempo, reconheceu a possibilidade de emoções corretas e virtuosas — as eupatheiai — que expressam um alinhamento entre razão, ação e ordem cósmica. Esse debate interno entre extirpação, controle e cultivo das emoções tornou-se uma das discussões mais influentes da filosofia antiga, com repercussões na espiritualidade cristã, especialmente entre os Padres da Igreja e na teologia moral posterior.
A pesquisa busca compreender como essas duas tradições — a estoica e a cristã — diferem e convergem na avaliação moral das emoções, investigando se a formação de um caráter virtuoso depende sobretudo da eliminação dos afetos desordenados ou do fortalecimento de afetos alinhados ao bem. Pretendemos analisar em que medida tais atitudes moldam decisões éticas concretas, orientam práticas espirituais (como exame de consciência, oração e ascese), e influenciam concepções mais amplas de florescimento humano, prudência e responsabilidade moral.
Por meio dessa análise comparativa, o projeto pretende contribuir para uma compreensão mais profunda do papel das emoções na vida moral, fornecendo subsídios para debates contemporâneos em Filosofia, Psicologia Moral e Teologia sobre o lugar dos afetos na construção de uma vida boa e virtuosa.

Resumo
O presente projeto de pesquisa possui a intenção de investigar o papel que as emoções – a princípio, o prazer/gozo e a dor/tristeza – desempenham na prática das virtudes e, consequentemente, no desenvolvimento natural e sobrenatural do ser humano, a partir das concepções filosóficas e teológicas de Aristóteles e Santo Tomás de Aquino.

Muito se tem falado, nos tempos atuais, sobre a importância do autocuidado, seja físico, psicológico, moral ou espiritual. Entretanto, este não é um assunto novo. O tema do autocuidado e do aperfeiçoamento pessoal atrai o interesse dos filósofos desde a Grécia Antiga, tendo como ponto de partida as investigações morais iniciadas por Sócrates, ainda durante o século V a.C., e aprofundadas por Platão e Aristóteles, durante o século IV a.C. Este último, por sua vez, redigiu alguns dos tratados éticos mais influentes de toda a história, dentre os quais destaca-se a Ética a Nicômaco. Na obra em questão, Aristóteles apresenta suas principais teorias éticas, enfatizando o desenvolvimento das virtudes morais e intelectuais como instrumento necessário para o aperfeiçoamento da natureza humana. Ainda discorrendo acerca das virtudes, o Estagirita investiga a influência exercida pelo prazer/gozo e pela dor/tristeza sobre nossas ações morais, associando a tais emoções a virtude da temperança.

Durante a Idade Média, por sua vez, os escritos de Aristóteles foram amplamente estudados e comentados por autores árabes e cristãos, dentre os quais destaca-se o frade dominicano Tomás de Aquino. Em seus comentários aos textos éticos do filósofo grego e em algumas de suas obras autorais, como Prima Secundae de sua Summa Theologiae, Tomás de Aquino investiga igualmente o papel desempenhado pelo prazer/gozo e pela dor/tristeza no âmbito do aperfeiçoamento moral. Contudo, seu pensamento possui, além do interesse filosófico propriamente dito, um objetivo teológico: Tomás não se detém a analisar essas emoções exclusivamente no âmbito do desenvolvimento moral natural, mas as analisa tendo em vista também o desenvolvimento sobrenatural do indivíduo em relação a seu fim último, a saber, a contemplação de Deus.

Ademais, tendo em vista a proposta interdisciplinar deste grupo de pesquisa, o presente projeto também possui interesse em investigar como as teorias éticas de Aristóteles e Tomás de Aquino acerca da influência exercida pelo prazer/gozo e pela dor/tristeza sobre as ações humanas podem contribuir com os estudos da neurociência acerca dos mecanismos cerebrais de recompensa e sua influência sobre os atos humanos.
Por fim, este projeto encontra-se em sua fase inicial de planejamento, pesquisa e levantamento bibliográfico, o que confere a ele um caráter provisório, estando sujeito a alterações de acordo com o parecer dos orientadores do grupo.

Resumo
O projeto de pesquisa centra-se na relação entre religião e a capacidade de avaliar as expressões faciais das pessoas e desenvolver empatia. As expressões faciais, como os sorrisos, as lágrimas e as carícias, são cruciais para nos darem uma ideia das emoções e intenções dos outros, influenciando assim os nossos próprios estados emocionais e respostas comportamentais. A eficácia das nossas interações diárias depende da nossa capacidade de perceber e compreender com precisão os sinais emocionais exibidos pelos outros e de responder adequadamente.

A nossa interpretação das expressões faciais dos outros e as respostas subsequentes estão sujeitas a objectivos e motivos individuais, muitas vezes moldados pelo ambiente social e, acima de tudo, pela identidade daqueles com quem interagimos. A diferenciação entre os que pertencem ao grupo interno e os que pertencem ao grupo externo desempenha um papel vital na formação das relações humanas e tem um impacto na comunicação emocional. As pessoas tendem a ser mais precisas a interpretar as expressões emocionais de indivíduos do seu próprio grupo social, em comparação com as de grupos externos. Além disso, as pessoas tendem a sentir maior empatia ao ver expressões faciais de dor de pessoas que fazem parte do seu grupo. Como resultado, os indivíduos desenvolvem certas expectativas sobre as emoções que devem ser demonstradas por determinados grupos sociais.

O estabelecimento de laços religiosos facilitou uma ampla colaboração entre indivíduos sem laços familiares, permitindo o desenvolvimento e a prosperidade de comunidades, centros urbanos e países. No entanto, este comportamento pró-social pode ser restrito, principalmente dirigido para aqueles que pertencem ao mesmo grupo religioso. Nesse contexto, a religião auxilia na formação de diferentes grupos nos quais as crenças e os comportamentos religiosos são fundamentais para a composição da identidade das pessoas que estão inseridas nas comunidades religiosas ou outras formas de agrupamento religioso. A religião pode ter o mesmo efeito que as características culturais (etnia) e sociais (gênero, raça) que os estudos anteriores buscaram investigar para compreender como a capacidade de demonstrar empatia tem uma relação com o fato de pertencer ou não a um determinado grupo. A percepção de rostos fora do grupo parece estar ligada à indiferença cognitiva, que por sua vez está ligada a uma percepção facial menos precisa. Desta forma, a nossa pesquisa tem como objetivo (1) investigar como a rotulagem de um rosto como membro do grupo interno ou externo afeta o comportamento empático diante de expressões faciais de dor e (2) os julgamentos de genuinidade dessas emoções.

Além disso, investigaremos se os efeitos da pertença a um grupo na resposta empática e na percepção de genuinidade são moderados pelo contexto no qual a expressão facial de dor física e emocional é exibida. Para realizar uma investigação preliminar dos aspectos delineados em nossa proposta de pesquisa, serão conduzidos dois experimentos envolvendo dois grupos. O primeiro grupo será composto por homens e mulheres filiados ao catolicismo romano. O outro grupo será composto por homens e mulheres filiadas a religiões de matriz africana. Em cada um dos experimentos nós utilizaremos testes psicométricos utilizando escalas para avaliar a empatia, religiosidade e a capacidade de avaliar as emoções. A nossa hipótese é de que a religião é um competente social e cultural que desempenha a função de modular a empatia cognitiva e emocional das pessoas que estão diante do sofrimento de um indivíduo que pertence a um outro grupo religioso.

Resumo
Este projeto investiga como elementos centrais da religiosidade órfica — especialmente a catábase, a purificação (katharsis) e a crença na imortalidade da alma — foram incorporados e reinterpretados por Platão na construção de sua filosofia, em particular no Fédon. Diversos estudiosos, como Gabriele Cornelli e Alberto Bernabé, mostram que Platão dialoga intensamente com tradições órfico-pitagóricas, adaptando seus mitos, rituais e doutrinas ao seu próprio sistema metafísico e ético. O orfismo, com sua visão de uma alma divina aprisionada no corpo e submetida a ciclos de reencarnação, forneceu a Platão uma moldura escatológica que reforça sua defesa da subsistência da alma no Hades e sua busca pela pureza intelectual.

No Fédon, Sócrates enfrenta serenamente a morte porque a compreende como retorno da alma ao domínio inteligível, ideia que ecoa práticas órficas de iniciação (teletai) voltadas à salvação pessoal e ao destino post mortem. Esses rituais envolviam purificações físicas e espirituais, jejum, banhos sagrados e instruções para a jornada da alma no Hades, oferecendo consolo e esperança aos iniciados. Platão racionaliza esse horizonte religioso ao integrá-lo à sua Teoria das Formas e à concepção de que a alma imortal é afim ao eterno, separando-se do corpo perecível para contemplar o inteligível.
A pesquisa, desenvolvida no âmbito do Projeto HEIR, examina como narrativas míticas, emoções religiosas e práticas rituais influenciaram a formulação platônica sobre a morte, a alma e a vida filosófica. O objetivo é compreender de que modo a catábase e os mistérios órficos contribuíram para a elaboração platônica da imortalidade da alma e para uma ética ascética que, assim como no orfismo, busca a transformação definitiva do sujeito.

Resumo
Este projeto investiga o papel das emoções no agir humano a partir do debate clássico sobre a base cognitiva dos valores e da afetividade. Perguntas fundamentais orientam a pesquisa: as emoções têm conteúdo cognitivo? Como se relacionam com o objeto percebido, julgado ou imaginado? Qual é sua contribuição para o desenvolvimento humano? A relevância dessas questões ultrapassa a psicologia e alcança a ética, a antropologia filosófica, a educação e até concepções políticas e religiosas de convivência e justiça. Compreender como as pessoas atribuem valor ao mundo e como as emoções orientam a ação é decisivo para qualquer teoria da vida moral e do florescimento humano.

A investigação toma como eixo as contribuições de Franz Brentano (1838–1917) e Edith Stein (1891–1942). Brentano renovou a filosofia ao propor uma psicologia descritiva rigorosa, baseada em observação e descrição, capaz de dialogar tanto com as ciências naturais quanto com a perspectiva de primeira pessoa. Sua análise da intencionalidade e da base cognitiva das emoções tornou-se fundamento para o surgimento da fenomenologia e da filosofia analítica. Edith Stein, influenciada por Husserl, desenvolveu e refinou muitas dessas ideias, buscando superar os limites do psicologismo e oferecendo uma compreensão mais aprofundada da experiência afetiva, dos valores e da formação da personalidade.

Tanto Brentano quanto Stein defendem que as emoções revelam valores e orientam a ação humana. Mais do que reações irracionais, elas são modos intencionais de apreensão da realidade, capazes de mostrar “o que devemos fazer” antes mesmo de normas ou mandamentos. Assim, o estudo analisa como a afetividade participa da liberdade, dos atos de vontade e da construção da vida moral. Serão examinadas obras centrais de ambos: *Psychology from an Empirical Standpoint* e *The Foundation and Construction of Ethics* (Brentano), e *Sobre o Problema da Empatia* e *Contribuições à Fundamentação Filosófica da Psicologia e das Ciências do Espírito* (Stein).

O objetivo geral é compreender como a intencionalidade afetiva contribui para uma concepção integrada do agir humano e para o florescimento moral e espiritual. A pesquisa também explora a influência dessas teorias em abordagens contemporâneas da psicologia, neuropsicologia, educação e até em tradições religiosas que reconhecem a importância das emoções na vida ética. Dessa forma, o estudo amplia o diálogo entre ciências cognitivas, filosofia e teologia, alinhando-se às linhas centrais do RC3.

Resumo
O propósito deste projeto é investigar em profundidade as emoções envolvidas na experiência da vocação religiosa.** Perguntas fundamentais orientam a pesquisa: como a vocação acontece? O que sente alguém que afirma ter sido “chamado”? Como essa experiência transforma sua vida e quais caminhos se abrem após esse chamado inicial? Ao explorar essas questões, o estudo busca contribuir para uma compreensão psicológica e teológica mais robusta do conceito de vocação, articulando sua dimensão afetiva, espiritual e existencial.

Entre os objetivos centrais estão:

* Examinar por que o termo “vocação” é tradicionalmente utilizado como expressão de um chamado à vida religiosa;
* Compreender que elementos constituem a experiência vocacional e que sentimentos a revelam;
* Identificar, nas narrativas bíblicas, os afetos que acompanham episódios de vocação — como medo, assombro, confiança, alegria ou resistência;
* Comparar relatos vocacionais contemporâneos com os textos bíblicos, destacando continuidades e rupturas;
* Avaliar até que ponto fatores emocionais influenciam a decisão vocacional, seja para abraçar, adiar ou rejeitar o chamado.

A metodologia combina pesquisa bíblica, revisão bibliográfica especializada e investigação empírica. Serão analisados textos do Antigo e do Novo Testamento que relatam experiências de vocação — como as de Moisés, Isaías, Jeremias, Maria e Paulo — buscando mapear as emoções presentes nesses encontros com o divino. Paralelamente, entrevistas e testemunhos de pessoas que relatam vocação religiosa serão coletados, permitindo observar como esse fenômeno se manifesta hoje, em contextos socioculturais e psicológicos muito distintos dos das narrativas bíblicas.

A comparação entre vocações antigas e contemporâneas pretende evidenciar tanto aspectos universais da experiência espiritual quanto novos desafios emocionais, sociais e institucionais que moldam as vocações no século XXI. O projeto reconhece que o fenômeno vocacional não é apenas espiritual, mas também afetivo e psicológico, envolvendo confiança, entrega, conflito interior, discernimento e tomada de decisão.

Ao integrar perspectivas teológicas, psicológicas e fenomenológicas, esta pesquisa pretende ampliar o diálogo entre religião, emoções e identidade, oferecendo subsídios relevantes para estudos sobre formação religiosa, acompanhamento espiritual e compreensão científica das experiências vocacionais — temas diretamente alinhados às linhas de investigação do RC3.

Resumo
Esta pesquisa investiga como a ayahuasca impacta as experiências subjetivas, as emoções, a cognição e o bem-estar psicológico em usuários iniciantes e experientes. A pesquisa combina dois estudos complementares: um clínico, com participantes com depressão resistente ao tratamento, e outro naturalístico, com usuários em contextos de rituais. O objetivo é compreender como fatores individuais (como sintomas depressivos) e contextuais (como ambientes cerimoniais) modulam a experiência e seus possíveis efeitos terapêuticos.

Resumo
A presente pesquisa tem como proposta apresentar a história e os feitos de São José de Anchieta, espanhol jesuíta que trabalhou como missionário no Brasil durante o século XVI, quando ainda era colônia de Portugal, e analisar suas contribuições e seu legado dentro daquilo que hoje se entende como Evangelização e cultura brasileira, entendendo o impacto de suas obras desde quando foram criadas até os dias atuais.

Pesquisa RC3

Produção

Livros

Capítulos de livros

Artigos

Videos

O Seminário Religião e Ciência é um ciclo de palestras realizadas por Pe. Paul Schweitzer S.J. com o apoio do projeto “How Emotions Inform Religion”, da Fundação Templeton, do Centro Loyola de Fé e Cultura e da Pastoral Anchieta da PUC-Rio. Os temas são relacionados às questões que envolvem os mistérios da fé e a razão lógica científica. Nas palavras do santo papa João Paulo II: “ o diálogo entre a ciência e a fé pode ser mutuamente benéfico”.

Go to Top